Jun 1
Editado: Jun 23

Como a pandemia afetou a indústria fashion

Talvez ainda seja cedo demais para se dizer que houve alteração na percepção do consumidor, quem parar para pensar um pouco sobre isso poderá enxergar algumas coisas. As grandes e históricas marcas internacionais fizeram importantes doações em dinheiro e em produtos para ajudar a combater a pandemia, criaram semanas de moda digitais e estão se preparando para atender o público de maneira diferente após o "lockdown", é assim que a indústria da moda está reagindo à pandemia de Covid-19.


Um efeito colossal foi sentido em quase todos os setores da economia mundial, seja pressão sem precedentes nos serviços de saúde, o fechamento de empresas não essenciais ou supermercados que precisam reavaliar suas táticas de reabastecimento e horário de funcionamento. E assim segue-se que a indústria da moda também está experimentando os efeitos de uma crise global de saúde.


Embora tenha sido descartada como frívola se comparada diretamente com as indústrias de serviços da linha de frente, que lutam para manter as pessoas vivas e alimentadas, a indústria da moda é uma meca criativa e um dos pesos fiscais mais significativos do mundo. A deterioração da indústria da moda teria um sério impacto na economia global, sem mencionar os efeitos de uma alteração no status de licença ou desemprego de milhões de artistas, designers, costureiras e muito mais.


O vírus se espalhou pelo mundo em taxas proporcionais diferentes e teve um impacto variável em diversos países. As últimas medidas de paralisação em vários países ainda incentivam, aqueles que podem, para trabalhar em casa, entretanto aqueles que não tem essa possibilidade são ativamente encorajados a voltar ao trabalho. Apesar de algumas das restrições mais severas terem sido flexibilizadas (ou mesmo serem suspensas em lugares como a França), a pandemia do Covid-19 continua, e o destino da indústria da moda ainda está em jogo.


Desde de uma potencial crise humanitária em Bangladesh, até bilhões de libras doadas por grupos de moda de luxo, são muitas as maneiras pelas quais a indústria da moda está se adaptando sob a pressão do coronavírus.


Compradores franceses fizeram fila para "comprar" moda semana passada causando furor

nas mídias sociais na França, compartilhando vídeos e fotos de compradores na fila do lado de fora de lojas de moda, como a de Zara e Louis Vuitton logo no dia de abertura após oito semanas de comércio fechado. No entanto, os negócios não são simplesmente "como de costume", já que "algumas partes do país - incluindo a capital Paris - permanecem sob controle mais rígido, com o país dividido em zonas verde e vermelha", segundo a BBC.


Paul Yeung | Bloomberg | Getty Images

Para a indústria da moda na Europa, o aumento da paralisação da França pode fornecer informações importantes sobre como os consumidores devem reagir nos próximos meses. Embora muitos trabalhadores não-essenciais possam sentir-se presos e estagnados durante esta pandemia, influenciadores e celebridades focadas na moda decidiram encontrar maneiras de contribuir.



Uma ação bem legal realizada na europa foi a da revenda de luxo Vestiaire Collective, a empresa recebeu doações de roupas de famosas como Kate Moss, Thandie Newton e Camille Charriere, para revender em instituições de caridade locais, incluindo a Fundação Hôpitaux de France-Paris, a Organização Mundial de Saúde e a Lombardia Regional Fundraising.


Outro exemplo foi o da LVMH que doou US $ 2,2 milhões à Cruz Vermelha da China e posteriormente reformulou suas unidades de produção de perfume e cosméticos para fabricar grandes quantidades de gel hidroalcoólico e prometeu confeccionar 40 milhões de máscaras médicas. O grupo Kering, principal rival do grupo LVMH, anunciou logo em seguida que três de suas marcas (Gucci, Balenciaga e Saint Laurent) também iriam utilizar as estruturas de suas fábricas para produzir máscaras e aventais para auxiliar no suprimento de hospitais.


LVMH França - Foto: Reuters

A Fundação Tiffany & Co., soltou um comunicado anunciando que a empresa alocaria US $ 750.000 (£ 606.350) ao Fundo de Resposta de Solidariedade COVID-19 para a Organização Mundial da Saúde, alimentado pela Fundação das Nações Unidas e US $ 250.000 ao Fundo de Resposta e Impacto do COVID-19 em NYC.


Embora pareça que o resto de 2020 tenha sido cancelado, com eventos de todos os setores - até às Olimpíadas - sendo postergadas e calendários sociais sensivelmente limpos, a moda está procurando outras maneiras de nos manter conectados, informados e inspirados em nossas telas.


A Shanghai Fashion Week iniciou em 24 de março uma temporada completamente digital. Com o apoio da futura plataforma de suporte a talentos 'Labelhood', 31 designers apresentaram novas coleções por meio de canais sociais e sites. A marca de roupas femininas Shushu / Tong, estocada no Dover Street Market e similares, estreou um curta-metragem para sua coleção AW20, outras marcas optaram pela transmissão ao vivo.


Aqui no Brasil várias marcas seguiram essa mesma linha de ação e usaram os recursos online para lançar coleções e criar novas maneiras de se conectar com seu público. Entre os atos de gentileza em todas as mídias sociais no momento, pequenas e independentes marcas de moda que lutam pela sobrevivência também estão fazendo sua parte.



Novos padrões de comportamento estão sendo desenvolvidos e com eles a necessidade de voltar a valorizar o que é essencial, o luxo sempre irá existir para quem puder vive-lo, no entanto, os olhares das pessoas estão atentos para aqueles que ostentam e exprimem valores fúteis. Identifica-se quatro valores fundamentais a orientar o consumo de produtos de luxo - a qualidade intrínseca dos produtos, o hedonismo, a preocupação com a aparência pessoal e a distinção. Também dois significados fortemente associados ao consumo do luxo: prazer e “impulsividade / compensação”. Pesquisas indicam que o consumo de bens de luxo é influenciado pelos meios social, profissional e familiar. Os produtos de luxo compartilham diversos significados e valores em sociedades do mundo todo.


Analisando a psicologia do consumidor, itens de luxo oferecem uma sensação de possibilidade e liberdade para sonhar. Quando você está no meio de uma crise, é difícil sonhar. As pessoas estão focadas no dia-a-dia e não conseguem pensar em como a vida pode ser melhor no futuro. Isso abre outra oportunidade para as marcas de luxo serem capazes de fornecer às pessoas esse sentimento de aspiração e possibilidade.


Após a crise do Covid-19 haverá uma redefinição do significado do Luxo. Será um momento para criar e fortalecer as percepções de uma marca de luxuosa, que acabam criando valor ancorado nos significados. O comportamento dos consumidores de luxo será totalmente diferente após o confinamento social que estamos vivendo, o distanciamento social está criando novas necessidades e novas regras de consumo, fazendo com que as marcas mudem sua forma de comunicar e atrair os seus clientes.



Agenda de desfiles online já foram definidas para as grandes marcas internacionais, plataformas e recursos interativos estão sendo lançados rapidamente para suprir a necessidade desse mercado em converter o presencial e exclusivo para digital.


A FNL Network @fnlnetwork lançou a primeira Semana Internacional de Moda Digital (IDFW) para designers de todo o mundo para mostrar as coleções de sua nova temporada. O IDFW é uma plataforma inovadora que abrangerá uma variedade de conteúdo de moda original para um público global.


Beijos

Evybandeca